Desastre atingiu região do Himalaia nesta quarta-feira; avalanche de gelo e rochas pode ter provocado a onda de água que destruiu vilas, estradas e estruturas de energia
Uma das maiores tragédias naturais registradas recentemente no Himalaia atingiu nesta quarta-feira (26) áreas do Nepal e do Tibete, na China. Grandes inundações repentinas atravessaram comunidades próximas à fronteira e provocaram mortes, desaparecimentos e destruição de estradas, pontes e instalações de energia.
O balanço ainda está sendo atualizado. Segundo informações mais recentes divulgadas pela Associated Press, autoridades nepalesas contabilizavam 157 mortos, enquanto a China confirmou outras três mortes no Tibete, elevando o total para pelo menos 160 vítimas fatais. Centenas de pessoas continuam desaparecidas.
Entre os desaparecidos estão turistas estrangeiros que viajavam pela região, considerada uma importante rota para peregrinações e atividades turísticas. O Nepal informou inicialmente que 384 turistas estavam desaparecidos, incluindo 291 estrangeiros. Outros levantamentos posteriores apontaram números ainda maiores, à medida que as autoridades ampliaram a busca e cruzaram informações sobre moradores, trabalhadores e viajantes.
O que provocou a tragédia?
As primeiras informações apontavam para uma possível combinação de atividade sísmica, deslizamento de terra e colapso de gelo. Especialistas ouvidos pela Reuters analisaram imagens de satélite e indicaram que uma parte significativa de uma geleira teria desabado em uma região elevada do Himalaia, carregando gelo, pedras e sedimentos para os rios.
Um terremoto de magnitude 4,4 registrado na região pouco antes do desastre também está sendo investigado como possível fator desencadeador. No entanto, as autoridades ainda não confirmaram definitivamente a relação entre o tremor e o colapso que provocou a inundação.
A força da água atingiu principalmente o rio Bhote Koshi e áreas do distrito de Rasuwa, no Nepal. A correnteza carregou lama, pedras, veículos e estruturas inteiras, atingindo comunidades e projetos de infraestrutura.
Estradas e energia foram destruídas
O desastre provocou danos significativos à infraestrutura da região. Casas foram destruídas, pontes foram levadas pela correnteza e estradas ficaram bloqueadas.
A Autoridade de Eletricidade do Nepal informou que aproximadamente 430 megawatts de capacidade de geração, incluindo instalações hidrelétricas e solares, foram afetados. O fornecimento de energia e as comunicações também foram prejudicados.
O impacto sobre as estradas dificulta o acesso das equipes de emergência às áreas mais atingidas. Em alguns pontos, helicópteros de resgate enfrentaram dificuldades para pousar devido às condições climáticas e ao nível elevado das águas.
Operação de resgate mobiliza helicópteros
O Exército do Nepal mobilizou equipes especializadas e 14 helicópteros para as operações de busca, resgate e atendimento às vítimas. Segundo a Rádio Nepal, pelo menos 25 pessoas já haviam sido resgatadas pelas equipes militares.
O governo também determinou atendimento médico gratuito aos feridos e autorizou a utilização de helicópteros militares e privados para retirar pessoas de áreas isoladas.
A Organização Mundial da Saúde informou que está trabalhando com o Ministério da Saúde do Nepal e enviou medicamentos, equipamentos e tendas para auxiliar no atendimento às comunidades afetadas.
Índia e China oferecem apoio
Diante da dimensão do desastre, o governo nepalês solicitou auxílio à Índia e à China para fortalecer as operações de emergência. O gabinete do primeiro-ministro determinou a mobilização de recursos para resgate, abrigo, alimentação, atendimento médico e reconstrução das áreas atingidas.
A Índia também iniciou o envio de ajuda humanitária e medicamentos, enquanto a China mobilizou equipes e equipamentos para atuar no lado tibetano da fronteira.
Mudanças climáticas aumentam preocupação
Especialistas alertam que o episódio ocorre em uma região particularmente vulnerável ao aquecimento global e ao derretimento acelerado das geleiras.
Pesquisadores afirmam que o aumento das temperaturas pode contribuir para a instabilidade de geleiras e lagos glaciais, elevando o risco de avalanches, deslizamentos e inundações repentinas no Himalaia. A Reuters aponta que o Nepal perdeu uma parcela significativa de seu gelo nas últimas décadas e que o ritmo de derretimento aumentou nos anos recentes.
O desastre também reacende o debate sobre sistemas de alerta antecipado e monitoramento transfronteiriço, especialmente porque rios que nascem no Tibete atravessam o Nepal e podem provocar efeitos rápidos em comunidades localizadas rio abaixo.
⚠️ Balanço ainda pode aumentar
As autoridades continuam contabilizando vítimas e desaparecidos, e os números ainda estão mudando conforme as equipes chegam a regiões que permaneciam isoladas. Por isso, para uma publicação jornalística, é mais seguro informar que o desastre já deixou mais de 150 mortos e centenas de desaparecidos, em vez de utilizar um número fechado.
Fontes: Reuters, Associated Press, Al Jazeera, WHO Nepal, Rádio Nepal e The Kathmandu Post.
Texto adaptado pela redação,

