Encontro reuniu dezenas de profissionais em ação que integra calendário permanente de ações de cuidado com servidores da Pasta
A Secretaria de Saúde de Mauá promoveu nesta sexta-feira (11) roda de conversa sobre o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre prevenção do suicídio e promoção da saúde mental. Realizada em dois horários diferentes para não prejudicar o fluxo de trabalho, a atividade reuniu dezenas de servidores da sede administrativa da pasta em momentos de escuta, reflexão e acolhimento.
A iniciativa integra calendário permanente de ações internas implantado pela Secretaria neste ano com o objetivo de ampliar para os próprios trabalhadores as campanhas e os temas de promoção da saúde tradicionalmente voltados à população. A proposta é realizar atividades relacionadas a assuntos como saúde mental, prevenção de doenças e qualidade de vida, fortalecendo a política institucional de desenvolvimento humano e profissional.
Coordenadas pela equipe de Educação Permanente (EP), as ações partem do princípio de ‘cuidar de quem cuida’. A ideia é criar espaços nos quais os profissionais possam falar sobre sentimentos, compartilhar experiências, ampliar conhecimentos e fortalecer vínculos no ambiente de trabalho.
“Quem trabalha na saúde passa os dias cuidando de outras pessoas e também precisa ser cuidado. Queremos que essa atenção faça parte da nossa rotina institucional, não apenas em campanhas específicas. Criar espaços de escuta, informação e acolhimento é uma forma de valorizar nossos trabalhadores e fortalecer toda a rede”, afirma Eliene de Paula Pinto, secretária municipal de Saúde.
A roda de conversa foi conduzida pela psicóloga Roberta Souza, professora da Anhanguera e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e saúde mental. O encontro abordou o Setembro Amarelo de maneira aberta, com foco na promoção da saúde, na identificação de sinais de sofrimento e na importância de acolher pessoas que estejam passando por momentos de crise.
Segundo Roberta, falar sobre suicídio de forma responsável não significa estimular o comportamento. Ao contrário, o diálogo pode contribuir para romper tabus e permitir que situações de sofrimento sejam percebidas e encaminhadas para ajuda, segundo ela. “Existe muito medo de falar sobre suicídio, mas o silêncio não resolve o problema. Precisamos abordar o tema com responsabilidade, sem julgamentos e sem transformar a dor do outro em motivo de vergonha. Muitas vezes existem sinais e comportamentos que podem ser percebidos por quem está próximo. A escuta é uma forma importante de cuidado”, explica.
A psicóloga também chamou atenção para a necessidade de evitar frases que minimizem o sofrimento ou interpretem manifestações de ideação suicida como ‘chamadas de atenção’. Para ela, qualquer relato dessa natureza deve ser levado a sério e receber acolhimento e encaminhamento adequados. “Quando alguém diz que não aguenta mais ou manifesta pensamentos de morte, não devemos julgar ou questionar a legitimidade daquela dor. Precisamos ouvir, acolher e ajudar essa pessoa a chegar ao atendimento de que necessita. A prevenção começa quando deixamos de tratar o sofrimento como algo que deve ser escondido”, acrescenta Roberta.
A atividade desta sexta-feira foi antecedida por ação realizada desde o início do mês. Painéis foram instalados nos setores da sede da Secretaria para que os trabalhadores pudessem registrar anonimamente sentimentos e percepções. O material foi reunido e encaminhado à psicóloga, servindo de subsídio para a conversa.
Outra dinâmica, chamada ‘correio de cuidado’, convidou os participantes a escrever uma frase que gostariam de receber em um dia difícil. As mensagens foram utilizadas para estimular a reflexão sobre empatia e apoio entre colegas. No encerramento, os trabalhadores foram convidados a um abraço coletivo como gesto simbólico de acolhimento e de reforço à mensagem de que ninguém precisa enfrentar sozinho momentos de sofrimento.
A avaliação dos participantes foi positiva. Entre as palavras utilizadas para definir a experiência estavam ‘satisfatória’, ‘acolhedora’, ‘necessária’, ‘aprendizado’, ‘desabafo’ e ‘reflexão’.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que ambientes de trabalho promovam a saúde mental e adotem medidas para reduzir riscos psicossociais, combater o estigma e ampliar o acesso ao apoio necessário. Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, mas que pode ser prevenido por meio da identificação de sinais de alerta e da busca por ajuda.
Em situações de sofrimento emocional intenso ou risco de suicídio, a orientação é procurar uma unidade de saúde ou serviço de urgência. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.

