Serviço oferece até 100 mil teleatendimentos mensais para mulheres em situação de violência e cuidadoras
O Ministério da Saúde passou a disponibilizar, nesta segunda-feira (24), até 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para mulheres em situação de violência e para aquelas que cuidam de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
O serviço, chamado Acolhe Mais, está disponível em todo o Brasil por meio do Meu SUS Digital e busca ampliar o acesso ao acompanhamento psicológico para mulheres que enfrentam situações de vulnerabilidade ou sobrecarga emocional.
A iniciativa começou como projeto-piloto em março, nas cidades de Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ), voltado inicialmente para mulheres em situação de violência. Agora, o atendimento foi ampliado para todo o país e passou a contemplar também mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que exercem atividades de cuidado.
Cada mulher em situação de violência poderá realizar até 10 sessões de acompanhamento psicológico, com possibilidade de iniciar um novo ciclo quando necessário. Após o atendimento, também poderá ser encaminhada para serviços da rede pública, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Como acessar
Para utilizar o serviço, é necessário entrar no aplicativo Meu SUS Digital com a conta gov.br. Na plataforma, a usuária deve acessar “Miniapps” e selecionar “Acolhe Mais + — Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.
Após o cadastro, a usuária será direcionada conforme sua situação. A equipe entrará em contato em até 24 horas para o agendamento da consulta.
Os atendimentos são realizados de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h, por psicólogas capacitadas pelo Ministério da Saúde para oferecer uma escuta especializada e acolhedora.
A ampliação do serviço ocorre diante do crescimento dos registros de violência contra mulheres. Dados do Ministério da Saúde apontam que as notificações de violência física, psicológica, sexual ou financeira passaram de 167,4 mil, em 2015, para 348,5 mil, em 2025, aumento superior a 100% em dez anos.
A iniciativa também reconhece a necessidade de cuidar de quem cuida. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo é realizado por mulheres, muitas vezes sem apoio psicológico ou uma rede de suporte adequada.

