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Pá de construção, latas e baldes viram instrumentos musicais em ação sobre sustentabilidade e cultura no Ceitec de São Bernardo

Banda Tudoquetoco reúne mais de 100 estudantes e convidados em atividade que conecta música, sustentabilidade, criatividade e aprendizagem, criando ambiente de descobertas

Uma pá de construção que vira guitarra, uma gaveta que ganha sonoridade de viola caipira e baldes que deixam de ser apenas recipientes para se transformar em instrumentos de percussão. Objetos que poderiam ser descartados ganharam novos sons e significados nesta terça-feira (20/10), durante a apresentação da banda instrumental Tudoquetoco, no Ceitec (Centro de Inovação e Tecnologia) de São Bernardo. A atividade reuniu mais de 100 estudantes do município e convidados em uma experiência que uniu música, criatividade, sustentabilidade e aprendizado.

A apresentação transformou o espaço em um ambiente de descoberta, mostrando aos jovens como a combinação entre conhecimento técnico, experimentação e imaginação pode dar novas funções a materiais sem uso. A iniciativa reforçou também a proposta do Ceitec de oferecer experiências que aproximem os estudantes da inovação, da tecnologia e de novas possibilidades de formação, conectando cultura, educação e consciência ambiental.

Para o prefeito Marcelo Lima, atividades como essa ampliam as oportunidades de aprendizagem e estimulam os jovens a enxergar novas alternativas a partir do conhecimento e da criatividade. “Queremos que o Ceitec seja cada vez mais um espaço de oportunidades, onde nossos jovens possam aprender, experimentar e descobrir novos caminhos. É uma forma de unir cultura, sustentabilidade e educação, incentivando os estudantes a pensar diferente e a construir um futuro melhor para São Bernardo”, destacou.

MATERIAIS REAPROVEITADOS 

Com instrumentos criados a partir de materiais reaproveitados, o Tudoquetoco demonstrou que fazer música vai muito além de tocar um instrumento convencional. A banda pesquisa as características dos objetos, estuda suas propriedades acústicas e desenvolve soluções para produzir melodias, harmonias e ritmos.

Entre as criações estão a “Les Pá”, guitarra feita a partir de uma pá de construção; a “gavetola”, instrumento que remete à sonoridade da viola caipira; o “vinholão”, construído com uma caixa de vinhos; e o “malaixo”, um baixo feito com uma mala. Já a “sucateria” reúne instrumentos de percussão elaborados com materiais reaproveitados.

Idealizador do grupo, o guitarrista Fábio Veroneze explicou que a iniciativa nasceu há 12 anos com o propósito de aproximar a música das discussões sobre sustentabilidade e reaproveitamento de materiais. “Ao longo dessa trajetória, nós desenvolvemos uma proposta artística que utiliza a criatividade e a técnica para chamar a atenção para questões como descarte, consumo consciente e economia circular. Hoje entendemos que esse trabalho tem atraído cada vez mais o público jovem, então enquanto apresentamos algo novo, promovemos um debate fundamental para essa e para as próximas gerações”, sustentou. 

A experiência também chamou a atenção dos estudantes. Kauan Alvino, aluno da Escola Estadual Dr. Baeta Neves, destacou o aprendizado proporcionado pela apresentação. “Aprendi várias coisas com a música e achei muito legal ver que praticamente tudo pode virar um instrumento musical”, contou.

O trabalho mais recente da banda, o álbum Brasileiro, reúne dez faixas instrumentais autorais inspiradas nas cinco regiões do País: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. As composições exploram a diversidade de ritmos e sonoridades brasileiras por meio de instrumentos construídos com materiais que seriam descartados.

Para o violonista Emiliano Castro, a educação e o acesso à arte são fundamentais para ampliar a conscientização das novas gerações. “A proposta do grupo é mostrar que o reaproveitamento de materiais pode caminhar junto com a expressão artística, estimulando o conhecimento e a reflexão sobre a relação entre sociedade e meio ambiente. Descobrimos que o Ceitec tem promovido não só essa apresentação, mas também fomentado esse debate para o público mais jovem. Isso é muito importante.”

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