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Santo André inova em infraestrutura verde com construção de jardineira de chuva

Equipamento está sendo implantado pelo coletivo MDDF, em parceria com a Prefeitura, para diminuir a sobrecarga do sistema de drenagem

Santo André, 2 de setembro de 2026 – As consequências da mudança do clima em Santo André, que tem enfrentado, por exemplo, maior incidência de dias com altas temperaturas e tempestades, moldaram as políticas públicas desenvolvidas no território, de forma que obras, projetos e outras ações possam preparar a cidade para ser mais resiliente em decorrência dos eventos extremos. Uma delas, recém-implantada, é a jardineira de chuva.

O nome não é comum, pois de fato trata-se de uma inovação. Esse tipo de infraestrutura verde serve para captar a água da chuva em telhados de residências (que, antes, cairia diretamente na calçada), armazená-la temporariamente, filtrá-la e, por fim, direcioná-la para áreas verdes.

Embora tenha características semelhantes ao jardim de chuva, solução baseada na natureza que já é explorada em diversos municípios, a jardineira possui essas funções específicas: reter a água, melhorar a qualidade hídrica e irrigar plantios, em vez de promover prioritariamente sua infiltração no solo.

Desta forma, ajuda também a reduzir a velocidade e o volume de água que terá como destino os sistemas convencionais de drenagem, como bocas de lobo e galerias de águas pluviais.

Projeto piloto – A nova infraestrutura verde está sendo instalada na Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na região dos bairros Vila Guarani e Centreville, pelo coletivo MDDF (Movimento de Defesa dos Direitos dos Moradores de Favelas de Santo André), em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação.

“Estamos construindo uma Santo André mais preparada para os desafios impostos pelas mudanças climáticas. As jardineiras de chuva são um exemplo de como podemos unir inovação, sustentabilidade e soluções simples e eficientes para reduzir a sobrecarga do sistema de drenagem e, ao mesmo tempo, qualificar os espaços públicos. É esse modelo de cidade resiliente, sustentável e construída com a participação das pessoas que queremos ampliar em Santo André”, afirma o prefeito Gilvan Ferreira.

Essa proposta só foi possível graças à adesão da administração municipal ao programa Cidades Verdes Resilientes, chancelada durante a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), realizada em novembro do ano passado, em Belém, no Pará.

“Nós conquistamos para a cidade R$ 1,5 milhão para implantar iniciativas de infraestrutura verde e de soluções baseadas na natureza na região da comunidade Nova Centreville, por meio da entidade selecionada pelo edital Periferias Verdes Resilientes, lançado pelo Ministério das Cidades”, explica o secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Edinilson Ferreira dos Santos.

“As jardineiras de chuva, construídas às margens do Córrego Cassaquera, são muito importantes para ajudar a não sobrecarregar dispositivos tradicionais de drenagem, especialmente em áreas com menos permeabilidade e histórico de inundações ou pontos de alagamento”, complementa.

Estrutura – Serão construídas nove jardineiras de chuva ao longo da Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello. Elas são de alvenaria e possuem em sua composição entulho ou brita, manta bidim, terra e plantas, isto é, materiais filtrantes.

Uma canaleta encaminhará parte da água para o canteiro central existente na via, entre a calçada e a faixa ciclística, contribuindo para irrigar as espécies plantadas.

Favelas Verdes Resilientes – As jardineiras fazem parte da segunda etapa do projeto Favelas Verdes Resilientes, desenvolvido pelo coletivo MDDF na região do Nova Centreville, com apoio do Instituto Rios e Ruas, Instituto Árvores Vivas, Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo.

A primeira fase foi dedicada à realização de oficinas de capacitação e educação ambiental com os moradores.

Coordenador da iniciativa, Felipe Palma explica que o MDDF realizará na comunidade diversas intervenções de soluções baseadas na natureza. “Após as jardineiras de chuvas, construiremos canteiros pluviais, teremos ações de arborização urbana e também mais um Quintal Verde na cidade, espaço para fomentar práticas de compostagem de resíduos orgânicos e de agricultura sustentável”, explica.

A proposta é associar infraestrutura verde, educação ambiental e participação comunitária, ampliando a capacidade do território de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, além de promover a requalificação de espaços públicos degradados.

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