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Qual Brasil veremos após as eleições de 2026: o que repete o passado ou o que constrói seu futuro?

Texto: Paulo Serra

O calendário político brasileiro avançou mais uma casa. Com o fim da janela partidária e o encerramento do prazo de filiações, o tabuleiro eleitoral começa a ganhar contornos mais nítidos. E o que se desenha, lamentavelmente, não é animador.

Há anos, venho defendendo a necessidade de o Brasil construir alternativas baseadas em gestão pública, equilíbrio social e responsabilidade fiscal – caminhos que fujam da lógica binária que tem dominado e empobrecido, sobremaneira, o debate.

A chamada “terceira via” segue mais como conceito do que como realidade política concreta. Faltam nomes com densidade eleitoral, há ausência de projetos consistentes que dialoguem com a população e, sobretudo, falta unidade.

Num ambiente político que premia extremos e simplificações, construir uma candidatura de Centro exige mais do que boas intenções – requer coordenação, coragem e capacidade de convergência. Elementos que, até aqui, não se materializaram.

O resultado disso é um déjà vu preocupante: 2026 deverá ser mais uma eleição marcada por intensa polarização, pela radicalização do discurso e pela redução do debate público a uma disputa de narrativas antagônicas.

Em vez de discutirmos o futuro do Brasil – reformas estruturantes, produtividade, Educação, Saúde, Segurança Pública, Inovação, eficiência do Estado etc – corremos o risco de reviver uma campanha balizada pelo medo, pela rejeição e pela negação do outro.

Quando levada ao extremo, a polarização deixa de ser um instrumento saudável da Democracia e passa a ser um fator de paralisia. O País perde a capacidade de construir consensos mínimos. Reformas importantes ficam pelo caminho. Decisões essenciais são adiadas indefinidamente.

Além disso, a radicalização contamina o ambiente institucional. O diálogo entre os Poderes se deteriora, a confiança nas instituições é corroída e o debate público se empobrece, consideravelmente.

Do ponto de vista econômico, os impactos são igualmente evidentes. A incerteza política afasta investimentos, reduz a previsibilidade e dificulta o planejamento a longo prazo. O Mercado teme; e, ao temer, não toma decisões. Sem se arriscar, não há novos negócios ou o fomento dos já existentes. Não há crescimento e geração de novas oportunidades.

E, aqui, reside um ponto central: a responsabilidade não é apenas dos partidos ou das lideranças políticas; é, sobretudo, da sociedade, que precisa voltar a valorizar o debate qualificado, a busca por soluções concretas e a rejeição a discursos palatáveis que pouco contribuem para a resolução dos problemas reais.

O Brasil já demonstrou, em outros momentos da sua história, que é capaz de escolher o melhor (e não o menos pior), quando enfrentou desafios organizacionais com responsabilidade e visão de futuro. E, ao meu juízo, pode ser assim novamente…

Para tanto, contudo, será preciso mais do que torcer por uma alternativa. É necessário construí-la – com coragem, com diálogo e, principalmente, com compromisso com o País. Porque, no fim das contas, a escolha nunca é apenas entre nomes, partidos e correntes ideológicas – é entre o Brasil seguir preso a um ciclo de confronto improdutivo ou abrir espaço para um projeto de nação que una, em vez de dividir.

O cenário está posto. Resta saber se teremos, mais uma vez, uma eleição sobre o passado – ou, finalmente, sobre o futuro. Em outubro de 2026, tal escolha vai ditar os rumos que todos nós, brasileiros, teremos de enfrentar.

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