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Em São Bernardo, tarifa zero ganha fôlego após debate na Câmara Municipal

FOTO: Divulgação

Em encontro, promovido pela vereadora Ana Nice (PT), especialistas apontam viabilidade financeira do modelo e defendem prioridade orçamentária para garantir transporte público gratuito no município

Na última quinta-feira (26), a Câmara Municipal de São Bernardo do Campo recebeu um debate sobre a tarifa zero e o Sistema Único de Mobilidade (SUM), com a presença do especialista em financiamento do transporte público Giancarlo Gama e do pesquisador da UFABC, Thiago Von Zeidler.

O encontro, promovido pela vereadora Ana Nice (PT), foi aberto à sociedade civil e contou com a participação de integrantes dos movimentos estudantil e sindical. Também houve espaço para questionamentos, permitindo que os participantes aprofundassem a discussão sobre a viabilidade da política pública no município.

O tema já havia sido mencionado pelo Executivo municipal, que sinalizou a intenção de implementar a tarifa zero aos finais de semana. A concessionária responsável pela gestão do transporte na cidade é a BR7 Mobilidade. Atualmente, o município pratica uma das passagens mais caras do Grande ABC, chegando a R$ 5,95 por usuário. Segundo Giancarlo Gama, caso implementada, a tarifa zero pode representar um custo médio de aproximadamente R$ 0,12 por habitante ao dia para o município.

“Em média, as cidades que implementam a tarifa zero gastam 12 centavos por habitante. O que eu ouvia dos prefeitos que adotaram a política é que foi possível viabilizá-la porque houve priorização do transporte público no orçamento. É preciso entender que o gasto com transporte público não é despesa, é investimento.”

O Brasil é o país com o maior número de cidades com tarifa zero no transporte coletivo no mundo, superando 130 municípios. Caucaia é a cidade mais populosa a adotar a política de transporte gratuito, com cerca de 380 mil habitantes. São Bernardo do Campo possui mais que o dobro dessa população, ultrapassando 800 mil moradores. Para Thiago Von Zeidler, o porte populacional não é fator determinante para a viabilidade do modelo.

“Cidades pequenas implantaram a tarifa zero porque foram as primeiras a enfrentar o colapso do sistema. Muitas não tinham recursos para manter subsídios elevados, operavam com poucos ônibus e modelos mais precarizados. Não acredito que a discussão esteja ligada ao porte da cidade, mas ao momento de crise do sistema. A tarifa zero surgiu como uma solução viável.”

Para a vereadora Ana Nice, o encontro marca o início de uma construção coletiva sobre o tema em São Bernardo. Ela destacou que a discussão deve envolver os movimentos interessados na democratização do acesso à mobilidade urbana. A parlamentar também ressaltou a importância do diálogo com os principais agentes políticos da cidade.

“É fundamental que os entes políticos tenham disposição para encarar esse debate e discutir qual sociedade queremos construir.”, afirmou. O encontro contou ainda com contribuições do público presente, que fez perguntas e apresentou problemas existentes hoje no transporte coletivo, marcando um avanço do debate no Legislativo municipal.

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