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Gordura bege pode ajudar a queimar calorias e influenciar a regulação da pressão arterial

Foto: Divulgação

Texto: Priscila Fernandes

Pesquisadores identificam papel metabólico e cardiovascular de tipo de gordura menos conhecido no organismo humano

Um tipo de tecido adiposo denominado gordura bege — menos conhecido que as gorduras branca e marrom — tem sido foco de estudos científicos que indicam seu papel na queima de calorias e na regulação da pressão arterial, segundo pesquisa publicada recentemente. Embora os estudos mais detalhados tenham sido realizados em modelos animais, os resultados sugerem possíveis implicações para a saúde humana e para o combate a doenças metabólicas e cardiovasculares.

Ao contrário da gordura branca, predominantemente relacionada ao armazenamento de energia e ao ganho de peso, a gordura bege tem capacidade de queimar calorias para gerar calor — um processo chamado termogênese — e está presente em pequenas quantidades entre os depósitos de gordura branca no corpo adulto.

Pesquisa publicada na revista Science mostrou que, em camundongos, a ausência de tecido adiposo bege levou a alterações na estrutura dos vasos sanguíneos e ao aumento da pressão arterial mesmo sem ganho de peso corporal. Os cientistas observaram que a falta desse tipo de gordura aumentou a rigidez dos vasos e tornou as artérias mais reativas a substâncias vasoconstritoras — o que elevou os níveis de pressão arterial nos animais estudados.

Um elemento central identificado nesse mecanismo foi a enzima QSOX1, que passou a ser produzida em maior quantidade na ausência da gordura bege e contribuiu para a remodelação dos vasos. Quando essa enzima foi bloqueada em modelos animais sem gordura bege, os efeitos negativos na função vascular foram revertidos, apontando para um papel-chave desse componente na ligação entre tecido adiposo e regulação da pressão arterial.

Especialistas destacam que “não é apenas a quantidade de gordura no corpo que importa, mas o tipo e a forma como esse tecido se comunica com outros órgãos”, o que pode abrir caminhos para futuras terapias voltadas à prevenção e ao tratamento da hipertensão e de outras doenças cardiovasculares.

Embora os resultados mais robustos tenham origem em estudos com animais, eles reforçam a ideia de que diferentes tipos de gordura corporal desempenham funções fisiológicas diversas — algumas potencialmente benéficas — e podem influenciar a saúde metabólica e cardiovascular. Pesquisas anteriores já mostraram que a presença de gordura marrom e bege está associada a menores riscos de hipertensão e outras complicações cardiovasculares, fortalecendo o interesse científico por esse tema.

Os pesquisadores alertam que mais estudos clínicos em humanos serão necessários para confirmar se a estimulação ou preservação da gordura bege pode ser uma estratégia eficaz na regulação da pressão arterial e na promoção da saúde global.

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