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Conselho da Mulher elege primeira mulher trans em São Bernardo do Campo

FOTO: Divulgação

As diretoras da instituição, Marie Claire (titular) e Thayô Amaral (suplente), foram eleitas para representar e defender os direitos das mulheres LBTs no município

Desde a última sexta-feira, dia 5 de dezembro, a Casa Neon Cunha passa a integrar o Conselho da Mulher de São Bernardo do Campo. Pela primeira vez, o colegiado reserva uma cadeira dedicada à diversidade. As diretoras da instituição, Marie Claire (titular) e Thayô Amaral (suplente), foram eleitas para representar e defender os direitos das mulheres LBTs no município.


Além de integrar a diretoria da Casa Neon e atuar como educadora social, Marie Claire torna-se a primeira mulher trans a ocupar o posto no Conselho e representa a classe das trabalhadoras sexuais.
“Não é fácil viver nessa sociedade onde somos um alvo constante. Estou muito feliz em lutar de mãos dadas com as minhas amigas trans e é uma honra poder representá-las num espaço tão importante. Agradeço a confiança e me comprometo a lutar pelos direitos das mulheres trans e travestis e de quem trabalha na noite por mais dignidade e segurança” diz Marie.


Por que esse avanço é decisivo


A eleição de Marie e Thayô é um feito significativo no contexto político de São Bernardo do Campo. Ao levar para dentro do Conselho as experiências que essas mulheres tem na atuação direta com pessoas LGBTQIA+ em alta vulnerabilidade, temas frequentemente marginalizados deixam de ser “setoriais” e passam a compor o centro da agenda de políticas para mulheres — como abrigamento, empregabilidade, saúde mental, segurança pública, enfrentamento à violência institucional e garantia de direitos.


A posse de Marie rompe a lógica que restringe mulheres trans às estatísticas de violência: no Conselho, ela ocupa um lugar de formulação, fiscalização e proposição, área da qual historicamente mulheres trans e travestis foram excluídas. Já Thayô, como mulher lésbica, traz uma nova perspectiva para o espaço de decisão: uma que não é centrada pela aprovação masculina. Atuando há anos no ativismo pelos direitos das mulheres, sua presença no conselho reforça que a cidade é composta por mulheres diversas e que todas elas precisam ser representadas.


Ter a Casa Neon nesse espaço também aproxima o trabalho direto que é feito na rua do âmbito político de elaboração e construção de leis. O resultado é uma escuta mais qualificada do território e respostas do poder público menos abstratas e mais conectadas às urgências de quem mais precisa.


“E muito representativo que a Marie, uma mulher trans e trabalhadora do sexo, alcance esse lugar. Lutar na rua pelos nossos direitos é só o primeiro passo. Também precisamos chegar nos espaços de decisão, e é isso que estamos fazendo. Me sinto honrada de ocupar esse cargo ao lado dela, porque quando as mulheres se juntam, as coisas mudam. E estamos provando que é difícil, mas é possível mudar o jogo.” – Thayô Amaral, comunicadora e ativista.


Para a Casa Neon, a conquista reforça que a luta das mulheres é pilar central dos direitos humanos. Ocupar essa cadeira significa trazer a diversidade para o centro da pauta, desmobilizando narrativas conservadoras que tentam dividir a sociedade.

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