Texto: Maik Uchôa
Apesar da expectativa de chuva e o acúmulo de cansaço físico dos três dias seguidos de muita agitação, o Tomorrowland Brasil teve lotação de público em seu último dia (chegando a 60 mil pessoas) e, também, destaques honrosos à nação e cultura brasileira por meio de remix, frases e vestimentas.
Errou ou acertou?
O primeiro destaque é para Dj dinamarquês Kölsch, que investiu momentos do seu set no palco principal com um mix de diversos funks conhecidos pela população. E não foi apenas esse ritmo que o artista quis mostrar o conhecimento sobre os gostos brasileiros, ele também trouxe o tradicional samba – ilustrado por bailarinos como funciona o gingado na ponta do pé.
Apesar da dedicação na imersão cultural dos ritmos brasileiros, alguns visitantes estrangeiros, que são fãs de música eletrônica e do festival que ocorre há mais de 10 anos só no Brasil, pareceram não simpatizar muito com o repertório do Dj. Essa observação se dá pela maneira como alguns grupos olharam para o palco e outros ao deixarem o Mainstage.
A crítica (com olhares e falas) também foi compartilhada por alguns brasileiros que reclamaram da letra que o dinamarquês usou para representar o carinho pelo país durante sua apresentação. Em contraponto, outros já entraram na brincadeira e até fizeram passos de dança para ilustrar o cruzamento de eletrônica e funk – cantando em voz alta as letras que envolviam palavras mais sensuais.
“Eu amei muito como ele trouxe alguns ritmos em um local de tanta visibilidade, ainda mais o funk e o samba que são tão importantes para a composição da nossa cultura. Eu fiquei emocionada demais e até gravei dançando para mostrar aos meus amigos da minha cidade”, disse a jovem de 26 anos, Beatriz Genaro, que veio de Campo Grande (MS) para conhecer o Tomorrowland Brasil ao lado do namorado.
Camiseta do Brasil e músicas latinas que são chicletes para os brasileiros
Outro show destaque, de tentativa de representatividade, foi o do DJ Lost Frequencies, que, apesar de não ter mudado seu repertório para sons brasileiros, usou camiseta oficial do Brasil e colocou a palavra “professor” na estampa.
O famoso Dj “extremamente agitado” Steave Aoki, conhecido por levantar multidões e arremessar bolos no público que fica na grade de seus shows, teve uma ideia diferente. O artista usou músicas latinas, de países vizinhos, mas que são chicletes na boca dos brasileiros – além disso, trouxe sua composição em parceira com a cantora Ludmilla.
Por fim, ainda nos destaques mais comentados das apresentações do palco principal e sendo um dos mais esperados da noite, o brasileiro Alok trouxe uma multidão mesmo com uma forte garoa. Por estar em casa, o artista que, também se apresentou no festival um dia antes, mas em outro palco, iniciou seu show dizendo: “Brasil, cheguei” – levando os cidadãos ao delírio.

O artista interagiu com o público constantemente, trabalhou seus principais hits da carreira com um tom mais pesado e crescente em suas batidas e, ainda, quebrou o recorde latino com mais de mil drones que destacavam as frases: “obrigado Brasil”, “rave the world” e outras imagens que fizeram o público gritar de emoção.
Foram quase duas horas de apresentação com muitas luzes, batidas agitadas e letras comerciais marcantes, que fizeram Uzias Ferreira, jovem de 27 anos já habituado ao festival, ir a loucura quando assistiu ao show de Alok. “Ele é muito publicitário, mas soube trabalhar o repertório muito bem. Vamos lembrar que esse Dj não faz shows, mas grandes espetáculos musicais e isso é o seu diferencial”, comenta o rapaz em tom de crítica positiva.
Agora é só em 2027
O Tomorrowland Brasil teve seu encerramento nesse domingo (12). Uma data que, também, é conhecida pelos brasileiros como dia das crianças indo de encontro com o que o festival busca: compartilhar sonhos, visita ao lúdico e envolvimento da felicidade por meio da música eletrônica. A próxima edição, ao menos em São Paulo, ocorre apenas em 2027.
Fundado na Bélgica em 2005, o Tomorrowland é um dos maiores e mais renomados festivais de música eletrônica do mundo. Conhecido por sua cenografia grandiosa, curadoria musical de alto nível e proposta imersiva, o festival reúne anualmente centenas de milhares de pessoas em suas edições ao redor do planeta.


