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Depois da última batida, o que acontece com o lixo do Tomorrowland Brasil?

Foto: Maik Uchoa

Texto: Maik Uchôa

O segundo dia do Tomorrowland Brasil 2025 começou como se espera de um espetáculo global. Sob o tema “Life”, mais de 60 mil pessoas lotaram o Parque Maeda para ver Dimitri Vegas, Axwell, Anna, Vintage Culture, Nicky Romero, Bruno Martini e outros gigantes da música eletrônica vibrarem o Mainstage em uma sinfonia de luz, fumaça e energia que parecia não ter fim.

Logo nas primeiras horas da tarde, as lixeiras de orgânicos e recicláveis se enchiam rapidamente. Pouco depois, eram esvaziadas por equipes que trabalhavam em revezamento, garantindo que o espaço permanecesse limpo e funcional. O sistema parecia funcionar com precisão. Ainda assim, ao fim do último set, quando a multidão se dispersou, o cenário era outro: garrafas PET, copos, latinhas e plásticos de todo tipo formavam um tapete de resíduos sob o céu de Itu.

A pergunta inevitável surge: para onde vai todo esse lixo?

O Tomorrowland tem uma resposta, e ela é mais complexa do que parece. A operação de limpeza e reciclagem é uma grande engrenagem, parte da iniciativa global Love Tomorrow, o braço de sustentabilidade do festival. Só em 2024, o evento belga registrou 70% de todo o lixo reciclado e anunciou a meta de chegar a 100% de reciclagem em suas edições até 2030

A base do sistema é o “Recycle Club”, uma espécie de economia circular aplicada ao entretenimento. No DreamVille, área de camping do festival, os visitantes recebem kits de reciclagem e são recompensados por devolver sacos cheios de resíduos separados podendo trocar por brindes como protetores auriculares reutilizáveis ou meias feitas de materiais reciclados. O incentivo parece simples, mas é parte de um programa global de reuso que vai muito além das tendas.

Nos bastidores, há ainda 70 voluntários com mochilas de reciclagem móvel, centenas de lixeiras desenhadas para 14 tipos diferentes de resíduos e estações de lavagem de copos reutilizáveis capazes de higienizar meio milhão de unidades por dia. Esses “smart cups” permitem reembolso digital instantâneo do depósito pago na compra, sendo um exemplo de tecnologia a serviço da circularidade, já que os copos são equipados com chips.

O compromisso não termina quando o público vai embora. As estruturas cenográficas, painéis e até as madeiras usadas nos palcos passam por um programa de reuso que garante que 100% dos materiais de palco e decoração sejam reaproveitados ou certificados sob critérios ESG

Parte das lonas e banners publicitários são transformados em mobiliário urbano ou tendas reutilizáveis, iniciativa que já evitou a emissão de mais de 12 toneladas de CO₂.

O projeto ainda tem um lado social: envolve aprendizes e voluntários, incluindo jovens em situação de vulnerabilidade e pessoas em situação de refúgio, que participam dos programas de coleta, triagem e reaproveitamento de materiais.

Entre o espetáculo e a responsabilidade

O Tomorrowland Brasil busca equilibrar duas dimensões que dificilmente andam juntas: a celebração em massa e a responsabilidade ambiental.
Mesmo com uma estrutura planejada para reduzir impactos, o volume de público de dezenas de milhares de pessoas reunidas por dia inevitavelmente gera consequências visuais e ambientais.

Essa escala, porém, também é o que dá ao festival a capacidade de provocar reflexão e estimular mudanças de comportamento. Mais do que instalar lixeiras coloridas e campanhas de conscientização, o desafio está em transformar a sustentabilidade em prática real, tanto na operação do evento quanto nas atitudes do público. No fim, o que permanece depois do último show é o rastro que cada pessoa escolhe deixar.

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