Texto: Matheus Godoy
No último domingo (21), o país acompanhou diversas manifestações contra a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Blindagem que, em linhas gerais, protege os parlamentares contra investigações e processos criminais e civis. Diversas lideranças e entidades de esquerda ocuparam as ruas do país e acenderam um alerta na direita brasileira.
Foram registradas multidões nas ruas de grandes cidades, como Salvador, Recife, Natal, Belo Horizonte, Brasília, São Luís, Rio de Janeiro e São Paulo. Na capital paulista, foram 42,4 mil pessoas ocupando a Avenida Paulista, segundo levantamento do Monitor do Debate Político do CEBRAP e a ONG More in Common.
A presença da esquerda nas ruas do país causam preocupação nos líderes da direita, principalmente em âmbito federal. Os conservadores tentam retomar o controle do Governo Federal e as movimentações para o pleito do ano que vem seguem bem agitadas, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principal figura da espectro, segue condenado e sem possibilidade de se eleger.
Figuras como Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, Romeu Zema (Novo), governador de Minas, Michelle Bolsonaro (PL), ex-primeira-dama, e Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás, brigam para assumir o protagonismo. Enquanto isso, o presidente Lula (PT) permanece liderando as pesquisas eleitorais em todos os cenários possíveis.
Agora, a direita brasileira tem a missão de entrar um consenso para definir qual será o adversário do petista no ano que vem. Outra situação que pode complicar os conservadores no pleito é a atuação internacional do atual presidente, que está sendo bem elogiado pela postura diante das taxações dos Estados Unidos e do forte posicionamento contra a Guerra na Faixa de Gaza, condenando Israel.
Senado precisa aprovar PEC da Blindagem
Mesmo com a aprovação na Câmara dos Deputados, a PEC precisa ser aprovada pelo Senado, e a votação acontece nesta quarta-feira (24), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso seja derrotada, ela pode ser arquivada de forma definitiva ou ser encaminhada para o plenário da casa, formado por 81 senadores.
A tendência é de que a PEC da Blindagem seja rejeitada na casa. O relator da proposta no senado, Alessandro Vieira (MDB), do Sergipe, recomendou em seu parecer a rejeição total. O relatório foi apresentado nesta terça-feira (23), na véspera da reunião da Comissão de Constituição e Justiça.
No texto, Vieira afirma que a “PEC que formalmente aponta ser um instrumento de defesa do Parlamento é na verdade um golpe fatal na sua legitimidade, posto que configura portas abertas para a transformação do Legislativo em abrigo seguro para criminosos de todos os tipos.”


