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Setembro Amarelo: campanha traz alertas sobre o suicídio no Brasil

Foto: Governo Federal

Texto: Matheus Godoy

Na próxima segunda-feira (01), inicia a campanha anual Setembro Amarelo, que completa onze anos de sua criação no estado de São Paulo – o laço foi adicionado no calendário nacional em 2015. A iniciativa é um marco na conscientização sobre a saúde mental e prevenção ao suicídio no Brasil. Por muito tempo, esses temas eram considerados tabus no país e estão ganhando mais importância com o passar dos anos.

Para se ter uma ideia, a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que mais de 700 mil suicídios aconteçam anualmente no mundo. No Brasil, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança, afirma que houve 16 mil casos no em 2023 – nos dados mais recentes divulgados pela entidade.

Os números apresentaram uma melhora quando comparados com 2022, com uma redução de 1,3% nos casos. No entanto, um estudo divulgado no ano passado aponta que, desde que o Setembro Amarelo foi lançado nacionalmente, em 2015, as mortes por suicídio aumentaram e apresentaram aceleração no crescimento. Além disso, os casos tendem a crescer nos meses próximos a setembro.

Os pesquisadores analisaram as mortes por suicídio no Brasil entre 2000 e 2019. Neste período, houve 195.047 casos, representando um aumento de 57%. Os indicadores de 2020 em diante não foram utilizados por causa da pandemia de Covid-19, evento que pode alterar o comportamento da população em relação ao suicídio.

O pesquisador responsável pela coordenação do estudo, Rodolfo Damiano, do Departamento e Instituto de Psiquiatria do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, utilizou dados do DataSUS, do Ministério da Saúde. A pesquisa foi realizada em parceria com pesquisadores de outras quatro universidades brasileiras, além da faculdade sueca Karolinska Institutet, e da organização americana Child Mind Institute.

A pesquisa foi revisada por pares e publicada em agosto do ano passado na revista científica Journal of Affective Disorders. O portal G1 realizou apontamento dos principais pontos da publicação e entrevistou o coordenador Rodolfo Damiano.

De acordo com o psiquiatra, a motivação do estudo se baseou nas avaliações realizadas por médicos nos consultórios. “Houve uma observação clínica dos profissionais em pronto-atendimento de que havia mais procura por tentativa de suicídio em setembro e outubro, e a gente quis entender se isso era por causa de uma mudança sazonal normal”, explicou.

Mesmo com os alertas, a pesquisa menciona que não é possível admitir que o aumento nos números tenha relação com a proximidade da campanha Setembro Amarelo.

“Embora não possamos atribuir causalidade, nossos resultados reforçam a necessidade de mais estudos para entender melhor o papel das campanhas de conscientização nas intervenções de redução do suicídio, incluindo potenciais efeitos não intencionais”, diz o estudo.

Onde buscar ajuda?

– CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).

– UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais

– Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita)

Centro de Valorização da Vida – CVV (188)

O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email, chat e voip 24 horas todos os dias. A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, é gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.

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