Texto: Matheus Godoy
A cidade de São Bernardo do Campo foi pega de surpresa nesta quinta-feira (14) ao ver a Operação Estafeta, deflagrada pela Polícia Federal, e que tem o objetivo de apurar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro por uma suposta organização criminosa. O prefeito Marcelo Lima (Podemos) foi um dos alvos da corporação e acabou afastado do cargo por um ano, tendo a obrigação de usar tornozeleira eletrônica.
Além do chefe do executivo, dois vereadores foram afastados de suas funções por suposto envolvimento nos crimes: o presidente da Câmara Municipal, Danilo Lima (Podemos), e o suplente Ary de Oliveira (PRTB), que é um dos parlamentares mais antigos da cidade. O secretário de Coordenação Governamental, Fábio Augusto do Prado, foi apontado como operador financeiro.
Já o ex-secretário de Administração, Paulo Sérgio Guidetti, foi citado nas conversas de repasses de R$ 150 mil. Paulo Iran Paulino Costa e Roque Araújo Neto, servidores da Alesp, também foram alvos da operação. Paulo Iran foi já foi funcionário do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL), e Roque trabalhou com a deputada Carla Morando (PSDB), ex-primeira-dama de São Bernardo do Campo.
No total, duas prisões preventivas foram cumpridas pela Polícia Federal, além de 20 mandados de busca e apreensão e medidas de afastamento de sigilos bancário e fiscal, nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá e Diadema. As medidas cautelares foram expedidas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e incluem o afastamento de cargos públicos e o monitoramento eletrônico.
Segundo a nota informações divulgadas pelo Governo Federal, as investigações começaram em julho de 2025, a partir da apreensão de R$ 14 milhões em espécie (entre reais e dólares estadunidenses), que estavam em posse do servidor Paulo Iran. Na ocasião, a PF estava em um prédio para prender outro alvo, quando abordou o funcionário da Alesp.
Jéssica Cormick assume a prefeitura são-bernardense
Logo após o afastamento por um ano do prefeito Marcelo Lima, o Tribunal de Justiça de São Paulo notificou a prefeitura são-bernardense e a Câmara Municipal. Com isso, a vice Jéssica Cormick (Avante) assumiu a cidade de forma interina.
Aos 38 anos, Jéssica é sargento da Polícia Militar de São Paulo desde 2005. No ano passado, a agente se afastou da corporação após ser convidada para ser vice na chapa de Marcelo Lima. Ela tem especialização em Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública.
Câmara também é afetada após ação da PF
A ação da Polícia Federal afetou diretamente o presidente da Câmara de São Bernardo do Campo, Danilo Lima, que também é primo do prefeito Marcelo Lima. O vereador foi afastado da casa porque, de acordo com as investigações, recebia “altas quantias em dinheiro” do servidor da Alesp, Paulo Iran Paulino Costa.
Até o momento, não foi definido quem vai assumir a presidência do Legislativo. A vice Ana Nice (PT) se pronunciou horas após o afastamento do prefeito e dos outros investigados.
“Na manhã desta quinta-feira (14), nosso mandato foi surpreendido com a notícia do afastamento do prefeito Marcelo Lima, após operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de corrupção na Prefeitura de nossa cidade.
Seguimos defendendo a apuração rigorosa do caso, pois se trata de uma investigação policial que precisa ser conduzida com transparência e responsabilidade. A cidade não pode ser prejudicada por supostas irregularidades que impactam diretamente a vida de cada cidadã e cidadão são-bernardense.
Enquanto vice-presidente da Câmara, reafirmo nosso compromisso de seguir todas as medidas previstas no Regimento Interno, garantindo a estabilidade institucional e o bom funcionamento do Legislativo. No momento, a população de São Bernardo do Campo precisa de rigorosa apuração e justiça.”


