Encontro analisou a trajetória da autora do “Quarto de Despejo” e sobre os comportamentos racistas da sociedade
Nesta sexta-feira (08/11), o Teatro Clara Nunes em Diadema, recebeu os autores João Pinheiro e Sirlene Barbosa, para um bate-papo literário sobre a obra em HQ “Carolina”, que conta a história de Maria Carolina de Jesus, homenageada da 3ª Feira Literária de Diadema (FLID).
Escritora do livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, Carolina Maria de Jesus nasceu em Minas Gerais e, com pouca escolaridade, decidiu trabalhar como catadora de papel, mas mantinha o hábito de escrever sobre seu cotidiano. No final dos anos 1950, foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, que ajudou a publicar seus relatos em forma de livro. O livro fez sucesso no Brasil e no exterior, tornando-a uma voz poderosa e pioneira da literatura marginal e social.
Apesar do sucesso e do prestígio, continuou enfrentando dificuldades financeiras e sociais, porém seu legado permanece como um símbolo de resistência e denúncias de desigualdades.
O autor da obra, João Pinheiro, refletiu sobre a trajetória de Carolina depois que publicou o livro. “Ela foi consumida como um objeto estranho e depois continuou jogada fora pela sociedade”, afirmou. “Conseguiu se mudar da favela do Canindé para um sobrado em Santana. No entanto, continuou sendo observada como alguém à parte da sociedade”, complementou
Sirlene Barbosa, também escritora do livro, conscientizou o público sobre o perigo de desenvolver comportamentos racistas.“Esse tipo de comportamento desconfigura nossa mente e nossa concepção de mundo”, compartilhou. “Desde o início da nossa história, passamos por um processo de miscigenação. Não importa se somos pretos retintos ou não ou pardos. Todos nós temos algo em comum: somos pessoas pretas e guerreiras de uma sociedade doente”, finalizou.
Contação de história sobre herança africana
Dentro também da FLID, o Centro Cultural Diadema recebeu, hoje (08/11), a drag Helena Black para uma contação de histórias sobre as viagens do menino Akin. Os alunos do primeiro e segundo ano da EMEB Carlos Drummond compareceram para prestigiar a apresentação.
A Drag Queen contadora de histórias narra suas viagens pela África, dando foco ao seu encontro com o menino Akin na Nigéria. Essas histórias exploraram lendas africanas que misturam a realidade, o mundo imaginário e mitológico.
Juntos, ambos apresentam a Savana, um bioma africano vasto e rico em fauna, inspirando as crianças a conhecerem esse lugar onde os animais vivem em liberdade, sem a interferência dos humanos.
Antes de iniciar a atividade, Helena Black, organizadora da atividade e leitora dos contos, explicou ao público o que são as “drag Queens”. “Somos artistas performáticos que usam roupas femininas, com o intuito profissional e artístico”, afirmou. “Nossa missão é deixar essa história mais colorida e divertida”, complementou.
A performer também compartilha a honra de apresentar a herança africana para a nova geração. “O racismo é latente na nossa sociedade. Então, esse momento é perfeito para desconstruir todas as possíveis concepções negativas que essas crianças possam desenvolver”, disse.
“Ninguém nasce preconceituoso, nos tornamos assim por influência do ambiente. Então, passar esses contos para essas turmas é um passo importante para construir um futuro melhor”, finalizou.
FLID
Neste ano, a 3ª edição da FLID ocorre entre 08 e 11 de novembro faz parte da Festa da Kizomba e homenageia a escritora Carolina Maria de Jesus. Confira abaixo, a programação completa da Feira Literária de Diadema.


