O Setembro Amarelo é uma das campanhas de maior relevância no calendário brasileiro, principalmente com o aumento no número de suicídios registrados nos últimos anos. A iniciativa teve início em 2015 e, desde então, vem trabalhando para diminuir as mortes e tentativas.
Cabe ressaltar que o maior desafio dos órgãos e instituições competentes é acabar com o ‘tabu’ que persiste no tema ‘suicídio’. De acordo com um levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 16.262 pessoas tiraram suas vidas em 2022 no país, uma média de 44 por dia. Infelizmente o índice apresentou um aumento na comparação com 2021, quando aproximadamente 14 mil pessoas se suicidaram.
Segundo especialistas, o aumento no número está relacionado com a pandemia de Covid-19, que trouxe inúmeros problemas: distanciamento de amigos e/ou familiares, desemprego, precarização das condições de trabalho etc. O levantamento foi divulgado pelo portal Viva Bem, do UOL, em julho deste ano.
Na região do Grande ABC não é muito diferente. Nos registros mais atuais, a Fundação Sead apontou que houve um crescimento de 28,6% no número de suicídios nas sete cidades no intervalo de dez anos ( 2007-2017). As informações foram divulgadas pelo portal Diário do Grande ABC.
Diferentes nichos da população são afetados diariamente pela depressão, principalmente aqueles com mais pressão no ambiente de trabalho, como professores e policiais. Mais especificamente no caso da Policia Militar (PM), houve um aumento significativo no número de agentes que tiraram a própria vida nos últimos anos.
Em 2021, 34 policiais se suicidaram no estado de São Paulo, ou seja, um agente morreu a cada 11 dias. Entre 2015 e 2020, 137 PM’s atentaram contra a vida. O levantamento divulgado pelo Observatório do Terceiro Setor ainda mostra que 176 membros da corporação estavam afastados pela psiquiatria há dois anos.
Entre os professores há também muita preocupação, principalmente com o retorno das atividades presenciais após a pandemia. Em um levantamento mais antigo da Apeoesp, de 2010, o sinal de alerta já estava ligado: a parte psicológica estava entre as maiores causas de afastamento do trabalho.
Já durante a pandemia, os docentes tiveram trabalho dobrado, mesmo com o distanciamento das escolas através das aulas onlines. Isso porque muitos professores não tinham mais expediente definido e atendiam os alunos em qualquer horário, fazendo o possível para passar o conteúdo. O desgaste, evidentemente, influenciou.
Segundo pesquisa da Nova Escola, 72% dos professores tiveram a saúde mental afetada e precisou buscar apoio durante o período pandêmico. O estudo também aponta que essa é a classe que mais sofre de ‘Burnout’, isto é , a síndrome de esgotamento físico e mental resultante de situações de trabalho que demandam competitividade ou responsabilidade.